{"id":559,"date":"2026-09-22T10:27:04","date_gmt":"2026-09-22T10:27:04","guid":{"rendered":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?entrevista=blogueiros-na-berlinda"},"modified":"2026-09-22T10:27:04","modified_gmt":"2026-09-22T10:27:04","slug":"blogueiros-na-berlinda","status":"publish","type":"entrevista","link":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?entrevista=blogueiros-na-berlinda","title":{"rendered":"Blogueiros na berlinda"},"content":{"rendered":"<p><em>Est\u00e1 na moda discutir, tanto na academia quanto nos jornais &#8211; sem contar os in\u00fameros sites e blogs espalhados Brasil afora &#8211; a exist\u00eancia da chamada gera\u00e7\u00e3o 00 de escritores brasileiros. Se ela existe ou n\u00e3o, se a nomenclatura ou o r\u00f3tulo \u00e9 contundente, s\u00f3 o tempo vai dizer. Mas \u00e9 fato que h\u00e1 um grupo de jovens autores publicando seus livros, movimentando o marasmo da cr\u00edtica e, principalmente, dando muito o que falar &#8211; e falando muito tamb\u00e9m. <\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 aqueles que acham uma afronta a express\u00e3o &#8221;literatura de blog&#8221; ou &#8221;blogueiros&#8221;. Mas existiria defini\u00e7\u00e3o mais pertinente para uma Clarah Averbuck, por exemplo? Pois bem, para n\u00e3o instigarmos apenas novos determinismos ou pol\u00eamicas infundadas e at\u00e9 cabotinas, convidamos os cr\u00edticos liter\u00e1rios e tamb\u00e9m escritores, Fl\u00e1vio Carneiro e Italo Moriconi, para um bate-papo sobre o que anda acontecendo na prosa brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Carneiro, que lan\u00e7a em mar\u00e7o pela Rocco No pa\u00eds do presente: fic\u00e7\u00e3o brasileira no in\u00edcio do s\u00e9culo 21, reuni\u00e3o de 65 resenhas de obras de autores novos e tamb\u00e9m de consagrados, de in\u00edcio j\u00e1 deixou bem clara a sua postura sobre a tal gera\u00e7\u00e3o 00:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o acho que se deva definir &#8221;gera\u00e7\u00e3o 2000&#8221;, \u00e9 apenas mais um r\u00f3tulo, n\u00e3o ajuda em nada a entender o que se passa na fic\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Organizador de Os cem melhores contos brasileiros do s\u00e9culo (Objetiva), Italo Moriconi discorda um pouco de Fl\u00e1vio e at\u00e9 arrisca algumas caracter\u00edsticas da nova safra de escritores:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o mais linkada a uma literatura surgida a partir do suporte da internet. \u00c0s vezes, nem existe refer\u00eancias liter\u00e1rias, a inspira\u00e7\u00e3o pode estar vindo do pr\u00f3prio umbigo do escritor, como no caso dos blogueiros.<\/p>\n<p>Mas num ponto eles concordam: n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para uma nova Clarice Lispector ou um novo Guimar\u00e3es Rosa. Essa cobran\u00e7a por um novo c\u00e2none, que normalmente parte dos pr\u00f3prios cr\u00edticos, \u00e9 por eles condenada. N\u00e3o h\u00e1 mais uma cultura intelectual exclusivamente liter\u00e1ria, terreno f\u00e9rtil para o surgimento de g\u00eanios. Para Fl\u00e1vio Carneiro, quem reclama a falta de uma fic\u00e7\u00e3o original brasileira nos \u00faltimos anos deveria rever seus conceitos de inova\u00e7\u00e3o. Afinal, o que n\u00e3o falta s\u00e3o bons escritores por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Nelson de Oliveira, ao utilizar a denomina\u00e7\u00e3o gera\u00e7\u00e3o 90, provocou muita pol\u00eamica. Mal acabaram essas discuss\u00f5es, surge outro r\u00f3tulo, a gera\u00e7\u00e3o 00. O conceito de gera\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria ainda \u00e9 v\u00e1lido? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Fl\u00e1vio Carneiro<\/strong> &#8211; O conceito de gera\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante enganoso. D\u00e1 a entender que se trata de um grupo, quando, na verdade, esse grupo n\u00e3o existe, o que existe s\u00e3o escritores que come\u00e7aram a publicar numa mesma \u00e9poca, e isso n\u00e3o quer dizer muita coisa. Sobretudo hoje, quando a diversidade \u00e9 a principal marca da fic\u00e7\u00e3o, com os escritores seguindo caminhos bem diferentes uns dos outros. O conceito de gera\u00e7\u00e3o \u00e9 res\u00edduo de um tempo em que ainda se acreditava em grupos e em projetos coletivos.<\/p>\n<p><strong>Italo Moriconi<\/strong> -Uma gera\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, art\u00edstica ou intelectual n\u00e3o se define apenas por idade ou pela coincid\u00eancia cronol\u00f3gica. Uma gera\u00e7\u00e3o no sentido forte do termo \u00e9 um grupo ou diversos grupos que possuem algum tipo de identidade est\u00e9tica ou ideol\u00f3gica, mesmo que essa identidade seja pluralista, como ocorre hoje em dia.<\/p>\n<p><strong>O que faz um escritor pertencer \u00e0 gera\u00e7\u00e3o 90? E \u00e0 00? <\/strong><\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; Ter come\u00e7ado a publicar em algum momento dos anos 90, mais nada, porque o resto \u00e9 s\u00f3 diversidade. N\u00e3o acho que se deva definir &#8220;gera\u00e7\u00e3o 2000&#8221;, \u00e9 apenas mais um r\u00f3tulo, n\u00e3o ajuda em nada a entender o que se passa na fic\u00e7\u00e3o atual. O que h\u00e1 s\u00e3o bons e maus autores que come\u00e7aram a publicar de 2000 pra c\u00e1.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; Acho dif\u00edcil estabelecer uma diferen\u00e7a entre as gera\u00e7\u00f5es 90 e 00. Elas pr\u00f3prias \u00e9 que nos deveriam fornecer essa diferencia\u00e7\u00e3o. Tenho uma certa tend\u00eancia a ver tanto os escritores jovens dos 90 quanto os escritores novos dos anos 00 como parte de um mesmo momento na hist\u00f3ria recente da cultura brasileira. Arriscaria uma diferencia\u00e7\u00e3o no sentido de que vejo a chamada gera\u00e7\u00e3o 00 mais linkada a uma literatura surgida a partir do suporte da internet, dos blogs. Um tra\u00e7o comum \u00e0s gera\u00e7\u00f5es 90 e 00 \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o tomam mais como seus modelos absolutos a Clarice Lispector e o Rubem Fonseca, que foram os grandes mestres da gera\u00e7\u00e3o 70. Creio que as refer\u00eancias s\u00e3o mais diversificadas e \u00e0s vezes nem existe refer\u00eancias liter\u00e1rias, a inspira\u00e7\u00e3o pode estar vindo do pr\u00f3prio umbigo do escritor, como no caso da gera\u00e7\u00e3o 00 blogueira.<\/p>\n<p><strong>O escritor ga\u00facho Andr\u00e9 Takeda diz que, para a literatura ir al\u00e9m, \u00e9 preciso mais sites, mais editoras, mais novos escritores. Concordam? <\/strong><\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; N\u00e3o. Temos editoras e escritores em n\u00famero suficiente no Brasil. Precisamos de mais leitores, livrarias, bibliotecas p\u00fablicas, programas de incentivo \u00e0 leitura.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; Diria que a quantidade \u00e9 um fator muito importante, mas acredito que a literatura vai para a frente fundamentalmente atrav\u00e9s do impacto causado pelos autores mais talentosos, pelo fator qualidade. Cabe \u00e0 critica e ao p\u00fablico ir peneirando ao longo dos anos quem s\u00e3o os autores realmente bons dentro de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Blog \u00e9 literatura? <\/strong><\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; Literatura \u00e9, at\u00e9 porque o conceito de literatura \u00e9 bastante amplo e sob seu teto generoso podemos abrigar v\u00e1rias formas de escrita. Agora, se \u00e9 boa literatura ou n\u00e3o j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria. Clarah Averbuck, a meu ver, representa certa vertente atual, formada por autores que levam ao p\u00e9 da letra a frase: minha vida daria um romance. D\u00e1 romance, tudo bem, mas romance ruim. S\u00e3o autores que n\u00e3o dominam o of\u00edcio, que t\u00eam um m\u00ednimo de t\u00e9cnica e um m\u00e1ximo de presun\u00e7\u00e3o. J\u00e1 me disseram que os blogs devem ser valorizados, porque apontam para um tra\u00e7o da cultura contempor\u00e2nea etc. Concordo, se a quest\u00e3o for tratada do ponto-de-vista da sociologia, dos estudos culturais ou algo assim. Mas o fato de ser uma manifesta\u00e7\u00e3o leg\u00edtima de certo momento de determinada cultura n\u00e3o \u00e9 o bastante para garantir a qualidade do que \u00e9 feito.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; Blog \u00e9 literatura em potencial. Acredito firmemente que o atual est\u00e1gio da civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, marcado pelo computador e pela comunica\u00e7\u00e3o virtual, \u00e9 infinitamente mais favor\u00e1vel \u00e0 leitura e \u00e0 escrita que o est\u00e1gio anterior, televisual. Literatura \u00e9 uma arte que exige que a pessoa tenha aprendido a tirar prazer da disciplina mental e corporal.<\/p>\n<p><strong>Em geral, os cr\u00edticos universit\u00e1rios resistem a estudar o momento liter\u00e1rio em andamento. Por qu\u00ea? <\/strong><\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; Falar do presente \u00e9 sempre delicado. Fomos educados segundo os pressupostos da hist\u00f3ria tradicional, que privilegia o distanciamento na an\u00e1lise do fato. Mas hoje novos historiadores j\u00e1 defendem uma id\u00e9ia diferente: \u00e9 poss\u00edvel falar do fato no momento mesmo em que o vivenciamos. Acho que a quest\u00e3o aqui \u00e9 outra. \u00c9 a prepot\u00eancia do discurso do historiador e do cr\u00edtico liter\u00e1rio que quer dar a palavra final sobre determinado autor ou obra que os leva \u00e0 necessidade de distanciamento. Acreditam que sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 julgar, e para tanto precisam de tempo. \u00c9 por isso, por esse princ\u00edpio equivocado, que a cr\u00edtica d\u00e1 pouco valor ao estudo do contempor\u00e2neo. O cr\u00edtico n\u00e3o precisa julgar nada, embora \u00e0s vezes possa at\u00e9 faz\u00ea-lo, mas sem ter necessariamente esta obriga\u00e7\u00e3o. O que ele deve fazer, sempre, \u00e9 pensar sobre o seu objeto: o texto liter\u00e1rio. E por que n\u00e3o pensar sobre o objeto que acaba de ser produzido? Por que esperar que ele se estabilize, se transforme em c\u00e2none? Alguns cr\u00edticos, me parece, t\u00eam medo de errar, de, por exemplo, elogiar determinado livro e daqui a alguns anos a academia chegar a um veredito: esse livro \u00e9 ruim. Isso iria depor contra o tal cr\u00edtico que elogiou a obra. Mas tamb\u00e9m a\u00ed h\u00e1 um equ\u00edvoco: o cr\u00edtico n\u00e3o tem que dar satisfa\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m a n\u00e3o ser a seus leitores, que merecem ler an\u00e1lises pertinenentes. E quem garante que a academia, num segundo momento, n\u00e3o poder\u00e1 reavaliar seu veredito, aprovando o livro que antes reprovava? O cr\u00edtico n\u00e3o tem que se sujeitar a isso, seria uma loucura.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; Acho que sua pergunta reflete um certo mito negativo. Na verdade, em um bom n\u00famero de universidades brasileiras, tanto em Letras como um pouco em Comunica\u00e7\u00e3o, existem muitos professores que levam a literatura atual para a sala de aula. Existem universidades mais tradicionais, como a USP, que n\u00e3o chegam sequer a Clarice e Rubem em seus programas de gradua\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o se pode fazer dessa quest\u00e3o um fetiche, pois n\u00e3o cabe \u00e0 universidade funcionar a reboque do ritmo vertiginoso do jornal e da TV. Para a universidade, a literatura e a arte n\u00e3o podem ser apenas um espa\u00e7o de novidade e atualidade. Cabe \u00e0 imprensa cultural e ao movimento art\u00edstico extra-universit\u00e1rio agitar e mobilizar em torno da produ\u00e7\u00e3o nova. Agora, \u00e9 claro que seria maravilhoso voltarmos aos anos 60 e 70, quando a universidade era um celeiro fundamental de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Com o boom dessa gera\u00e7\u00e3o, pode-se dizer que foi criada uma nova maneira de fazer literatura? <\/strong><\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; N\u00e3o, acho que seria exagero.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; N\u00e3o sei se est\u00e1 sendo criada uma nova forma de literatura pelas novas gera\u00e7\u00f5es. Sei que a internet oferece um tremendo potencial de experimenta\u00e7\u00e3o, mas a verdade \u00e9 que vemos muitos autores jovens buscando expressar-se de forma bem tradicional, seja atrav\u00e9s de um estilo confessional p\u00f3s-adolescente (na literatura blogueira), seja atrav\u00e9s de relatos realistas de tipo jornal\u00edstico sobre a vida nas periferias pobres (o chamado retorno do real). A meu ver, a caracter\u00edstica mais forte da literatura mais recente \u00e9 colocar a figura autobiogr\u00e1fica do autor dentro do texto ficcional. Os textos mais interessantes nessa linha s\u00e3o aqueles em que a figura do autor aparece, mas de maneira mentirosa, ou seja, \u00e9 um confessional fingido.<\/p>\n<p>&#8211; Muitos questionam a falta de uma nova Clarice ou um novo Guimar\u00e3es Rosa, como se n\u00e3o houvesse nada de inovador.<\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; N\u00e3o h\u00e1 mais uma nova Clarice ou um novo Rosa porque j\u00e1 n\u00e3o cabe, hoje, uma escrita t\u00e3o personalizada quanto a deles. Clarice e Guimar\u00e3es s\u00e3o os \u00faltimos remanescentes das vanguardas do s\u00e9culo 20. Criaram, cada qual \u00e0 sua maneira, obras de forte experimenta\u00e7\u00e3o de linguagem, \u00e0s vezes chocando ou pelo menos incomodando seus contempor\u00e2neos. Hoje j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para isso. O que \u00e9 muito bom. Adoro Rosa, adoro alguns livros (n\u00e3o todos) de Clarice, mas eles criaram uma fic\u00e7\u00e3o que n\u00e3o caberia no panorama atual. Eles escreveram contra certos padr\u00f5es determinados, derrubando muros, desconstruindo modelos. O que vejo hoje \u00e9 algo que costumo chamar de transgress\u00e3o silenciosa. Uma transgress\u00e3o que evita o estardalha\u00e7o, que n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o, que vai roendo por dentro. Quem reclama da falta de uma nova Clarice ou um novo Guimar\u00e3es Rosa deve rever seus conceitos de originalidade, de inova\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muita coisa original na fic\u00e7\u00e3o brasileira dos \u00faltimos anos, e os melhores autores, na minha opini\u00e3o, s\u00e3o justamente aqueles que enveredam por essa transgress\u00e3o silenciosa.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; N\u00e3o temos mais uma cultura intelectual exclusivamente liter\u00e1ria, por isso os novos escritores n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para se transformarem em g\u00eanios liter\u00e1rios, pelo simples fato de que nenhum tem com a pr\u00f3pria atividade aquela rela\u00e7\u00e3o quase sagrada com a escrita que a gera\u00e7\u00e3o modernista tinha. Guimar\u00e3es Rosa, antes de saber que era g\u00eanio, quis efetivamente ser um g\u00eanio. Alem disso, s\u00f3 d\u00e1 pra ser g\u00eanio em literatura quem tem seu sustento garantido e hoje os nossos escritores precisam trabalhar para sobreviver. \u00c0s vezes, passam-se v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es sem que apare\u00e7a algu\u00e9m realmente excepcional. Acho que os v\u00e1rios s\u00e9culos de Cervantes a Guimar\u00e3es Rosa produziram um corpus laico de livros sagrados que pode nos alimentar por mil\u00eanios.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Qual a import\u00e2ncia do Encontros de Interroga\u00e7\u00f5es, realizado essa semana em S\u00e3o Paulo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>FC<\/strong> &#8211; Acho muito importante. \u00c9 preciso elaborar programas, a\u00e7\u00f5es que contemplem ao mesmo tempo o incentivo \u00e0 leitura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Pelo que sei, um dos principais objetivos desse encontro foi o de levantar, a partir do debate, sugest\u00f5es efetivas nesse sentido, a serem encaminhadas \u00e0s inst\u00e2ncias governamentais. Espero que seja bem produtivo.<\/p>\n<p><strong>IM<\/strong> &#8211; Acho que \u00e9 uma iniciativa interessante. Lamento n\u00e3o ter sido convidado. Mas acho tamb\u00e9m que escritores n\u00e3o funcionam muito como coletividades sindicais. Todo escritor de verdade \u00e9 espirito livre, aut\u00f4nomo, independente, indom\u00e1vel. Por outro lado, uma gera\u00e7\u00e3o art\u00edstica e liter\u00e1ria \u00e9 sobretudo um grupo ou v\u00e1rios grupos que desenvolvem estrat\u00e9gias comuns de inser\u00e7\u00e3o nos circuitos da literatura e da arte. Os modernistas fizeram isso atrav\u00e9s das t\u00e9cnicas de choque da vanguarda e depois pela coopta\u00e7\u00e3o pelo Estado, a gera\u00e7\u00e3o 70 atrav\u00e9s do di\u00e1logo com a universidade e a politica, a gera\u00e7\u00e3o 90 atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas publicit\u00e1rias e a gera\u00e7\u00e3o 00 (assim como j\u00e1 tambem a 90) atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas de visibiliza\u00e7\u00e3o na rede. Portanto, cada nova gera\u00e7\u00e3o cria seus pr\u00f3prios circuitos de consagra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de criticar, trata-se de entender como a coisa funciona e como varia historicamente. O importante \u00e9 que funcione.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 na moda discutir, tanto na academia quanto nos jornais &#8211; sem contar os in\u00fameros sites e blogs espalhados Brasil afora &#8211; a exist\u00eancia da chamada gera\u00e7\u00e3o 00 de escritores brasileiros. Se ela existe ou n\u00e3o, se a nomenclatura ou o r\u00f3tulo \u00e9 contundente, s\u00f3 o tempo vai dizer. 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