{"id":546,"date":"2026-09-22T10:27:03","date_gmt":"2026-09-22T10:27:03","guid":{"rendered":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?entrevista=flavio-carneiro-o-ponta-direita-que-virou-escritor"},"modified":"2026-09-22T10:27:03","modified_gmt":"2026-09-22T10:27:03","slug":"flavio-carneiro-o-ponta-direita-que-virou-escritor","status":"publish","type":"entrevista","link":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?entrevista=flavio-carneiro-o-ponta-direita-que-virou-escritor","title":{"rendered":"Fl\u00e1vio Carneiro, o ponta direita que virou escritor"},"content":{"rendered":"<p><em>Antes de ser escritor, Fl\u00e1vio Carneiro era um promissor ponta direita. Aos 11 anos j\u00e1 jogava pelas divis\u00f5es de base de clubes goianos, e aos 17 recebeu uma oferta de trabalho no Guarani de Campinas, que acabara de vencer o campeonato brasileiro. <\/em><\/p>\n<p><em>A carreira esportiva parecia encaminhada, mas Carneiro resolveu apostar num caminho incerto: veio para o Rio de Janeiro estudar literatura, com a ambi\u00e7\u00e3o de um dia virar escritor. Como exce\u00e7\u00e3o de um conto e um roteiro de curta-metragem, os dois jogos (da palavra e da bola) ficaram separados na sua vida, at\u00e9 2007, quando ele come\u00e7ou a escrever cr\u00f4nicas mensais para o suplemento paranaense &#8220;Rascunho&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em>Nelas, recuperou experi\u00eancias de jogador e de torcedor, e arriscou analogias entre futebol e literatura ao identificar o lirismo do futebol de Garrincha, o humor de Dad\u00e1, e o \u00e9pico em Pel\u00e9. Os textos foram reunidos no livro &#8220;Passe de letra &#8211; futebol &amp; literatura&#8221; (Rocco), que acaba de ser lan\u00e7ado.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou sua carreira de jogador? <\/strong><\/p>\n<p>Comecei a jogar com onze anos, em Goi\u00e2nia. Durante a juventude joguei em alguns times l\u00e1. Com 17 eu ia me profissionalizar para jogar no Guarani de Campinas, que tinha sido campe\u00e3o brasileiro no ano anterior. Mas a\u00ed acabei optando por ir para o Rio, fazer o curso de Letras, escrever.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se considerava melhor escritor do que jogador? <\/strong><\/p>\n<p>Sempre achei que me dava melhor como jogador. Como escritor voc\u00ea leva muito tempo at\u00e9 sentir alguma firmeza. Para mim, ser um escritor era um sonho que estava l\u00e1 na frente, enquanto ser jogador j\u00e1 era uma realidade. S\u00f3 fui publicar meu primeiro livro aos 24 anos.<\/p>\n<p><strong>Alguma vez se arrependeu da decis\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Eu por muito tempo me arrependi, sentia muita falta. Tem algumas cr\u00f4nicas do livro que falam disso. Hoje nem tanto. H\u00e1 cinco anos eu jogo num time de veteranos aqui em Teres\u00f3polis. Ent\u00e3o d\u00e1 mais ou menos para enganar.<\/p>\n<p><strong>Qual era seu estilo no campo? Voc\u00ea jogava como ponta? <\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9, na \u00e9poca ainda existia isso. Hoje o atacante joga em qualquer beirada do campo. Eu era muito veloz, e al\u00e9m disso tinha uma t\u00e9cnica que me diferenciava um pouco dos outros. Os atacantes da \u00e9poca ou eram velozes ou trombadores, especializados em fazer gol. Eu tinha um bom toque de bola, jogava no meio de campo quando precisava.<\/p>\n<p><strong>E dava para falar de literatura com algum dos colegas de time? <\/strong><\/p>\n<p>Na \u00e9poca, eu tinha uns dois ou tr\u00eas amigos que gostavam muito de cr\u00f4nicas de futebol: Nelson Rodrigues, Jo\u00e3o Saldanha. Eram os \u00fanicos contatos que eu tinha com quem gostava de ler. A literatura n\u00e3o era uma coisa que eu pudesse dividir com o pessoal do futebol. A conversa tinha que ser outra, o que para mim era tranquilo. Eu n\u00e3o era t\u00e3o fan\u00e1tico por livros a ponto de n\u00e3o poder falar de outro assunto.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha poss\u00edvel ver o futebol de maneira liter\u00e1ria? <\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim. Cada um faz a compara\u00e7\u00e3o a partir das suas viv\u00eancias. Acho que \u00e9 poss\u00edvel ver um estilo mais l\u00edrico no Garrincha, por exemplo. Um futebol que n\u00e3o tem a ideia de chegar a algum lugar, como normalmente a narrativa tem, mas brinca com a bola como se brinca com palavras. J\u00e1 o Dad\u00e1 Maravilha tinha uma coisa mais c\u00f4mica, ir\u00f4nica, engra\u00e7ada, quase farsesca. E o Pel\u00e9 eu vejo como um grande \u00e9pico, que fazia quest\u00e3o de criar em torno dele essa imagem do mito.<\/p>\n<p><strong>E geralmente voc\u00ea v\u00ea o futebol com esse olhar estetizado? <\/strong><\/p>\n<p>Quando tem jogo do Botagofo, \u00e9 dif\u00edcil. Quando \u00e9 um jogo de um time que n\u00e3o me interessa o resultado, consigo acompanhar com prazer.<\/p>\n<p><strong>Qual foi o ponto alto da sua carreira de jogador?<\/strong><\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio, ainda pela categoria Dente de Leite, a gente ganhou um campeonato goiano contra o Goi\u00e1s, no campo do Goi\u00e1s, e eu fiz os dois gols do time. Mas mais emocionante mesmo foi jogar no Serra Dourada. Jogamos uma preliminar de Goi\u00e1s e Vila Nova com o est\u00e1dio cheio. Perdemos de 3 a 2, mas eu fiz os gols. Foi uma experi\u00eancia marcante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de ser escritor, Fl\u00e1vio Carneiro era um promissor ponta direita. Aos 11 anos j\u00e1 jogava pelas divis\u00f5es de base de clubes goianos, e aos 17 recebeu uma oferta de trabalho no Guarani de Campinas, que acabara de vencer o campeonato brasileiro. 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