{"id":593,"date":"2026-09-22T11:43:03","date_gmt":"2026-09-22T11:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?comentario=contador-de-historias"},"modified":"2026-09-22T11:43:03","modified_gmt":"2026-09-22T11:43:03","slug":"contador-de-historias","status":"publish","type":"comentario","link":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?comentario=contador-de-historias","title":{"rendered":"Contador de hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas f\u00e9rias eu me impus uma disciplina diferente da que estou acostumado. Comprei e li apenas autores de fic\u00e7\u00e3o nacionais contempor\u00e2neos, dando prefer\u00eancia \u00e0queles dos quais nada tinha lido. N\u00e3o vou entrar em detalhes, mas revelo que foram muitos e, pra minha grata surpresa, gostei de todos. Alguns mais, alguns menos, mas todos me agradaram.<\/p>\n<p>Um dos que mais gostei foi Fl\u00e1vio Carneiro. Praticando meu esporte predileto &#8211; bolinar e comprar livros, coisa cada vez mais dif\u00edcil em Goi\u00e2nia, \u00fanica cidade no mundo em que um shopping tem a desfa\u00e7atez de inaugurar sem nenhuma livraria! -, encontrei um esp\u00e9cime fininho, velho, manchado at\u00e9, mas que me chamou a aten\u00e7\u00e3o pelo que dizia a orelha: &#8220;Fl\u00e1vio Carneiro nasceu em Goi\u00e2nia, em 1962. Morando no Rio de Janeiro desde a d\u00e9cada de 80 [&#8230;]. Mestre em Literatura Brasileira [&#8230;]&#8221;.<\/p>\n<p>Tratava-se do livro de contos <em>Da Matriz ao Beco e Depois<\/em>, editado pela Rocco, publicado em 1994. Coincidentemente, por essa mesma \u00e9poca, li uma instigante entrevista sua no jornal liter\u00e1rio Rascunho (dispon\u00edvel em www.rascunho.com.br), o que me ati\u00e7ou ainda mais a curiosidade, e acabei entrevistando-o eu pr\u00f3prio (em www.revistabula.com).<\/p>\n<p><em>Da Matriz ao Beco e Depois<\/em> \u00e9, concordando com o que est\u00e1 na orelha, um livro-de-contos-quase-um-romance pela destreza do autor em entrela\u00e7\u00e1-los. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel individualiz\u00e1-los, de tal forma que o \u00faltimo e mais longo tem vida pr\u00f3pria e \u00e9 um verdadeiro aperitivo para quem pretende passar a ser leitor fiel do autor. Uma entrada ao prato principal (aten\u00e7\u00e3o: &#8220;entrada&#8221; n\u00e3o \u00e9 &#8220;menos&#8221; do que prato principal, mas apenas vem antes), seu romance rec\u00e9m-lan\u00e7ado, tamb\u00e9m pela Rocco, <em>A Confiss\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Se me dissessem que <em>A Confiss\u00e3o<\/em> \u00e9 inteirinho um mon\u00f3logo, minha primeira impress\u00e3o seria de se tratar de algo chato (mon\u00f3logo = mon\u00f3tono), o que n\u00e3o poderia estar mais longe da verdade. Um sujeito seq\u00fcestra uma mulher e a obriga a ouvir sua(s) hist\u00f3ria(s). S\u00f3 ele fala. Ficamos sabendo de uma ou outra rea\u00e7\u00e3o da mulher pela boca dele. Sempre. Acontece que esse sujeito \u00e9 ex\u00edmio contador de hist\u00f3rias. A cada novo fio do novelo que \u00e9 desenrolado, ficamos querendo saber o que vem adiante no labirinto de sua mente. A Confiss\u00e3o \u00e9 o tipo do livro que nos flagramos ansiosos a voltar a ele enquanto sofremos as f\u00e9rias nas \u00e1guas quentes de Caldas ou salgadas do litoral. O que n\u00e3o significa que seja &#8216;f\u00e1cil&#8217;, no sentido pejorativo da palavra.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, outra coisa que me chamou a aten\u00e7\u00e3o nas minhas leituras de autores nacionais contempor\u00e2neos \u00e9 que t\u00eam em comum o apuro formal (alguns at\u00e9 com extrema eleg\u00e2ncia), mas nem todos s\u00e3o bons contadores de hist\u00f3ria. Alguns s\u00e3o livros que, embora d\u00eaem grande prazer est\u00e9tico, n\u00e3o chegam a ser livros aos quais ficamos particularmente ansiosos pra voltar.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Carneiro consegue aliar apuro formal com efici\u00eancia ao contar uma hist\u00f3ria, o que o torna um bom candidato a atrair novos torcedores para o time da literatura nacional, que vive levando surra dos best-sellers estrangeiros. E ainda por cima \u00e9 goiano.<\/p>\n","protected":false},"template":"","class_list":["post-593","comentario","type-comentario","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/comentario\/593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/comentario"}],"about":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/comentario"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}