{"id":584,"date":"2026-09-22T11:43:03","date_gmt":"2026-09-22T11:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?comentario=o-belo-do-outro-lado-da-vidraca-a-confissao-de-flavio-carneiro"},"modified":"2026-09-22T11:43:03","modified_gmt":"2026-09-22T11:43:03","slug":"o-belo-do-outro-lado-da-vidraca-a-confissao-de-flavio-carneiro","status":"publish","type":"comentario","link":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?comentario=o-belo-do-outro-lado-da-vidraca-a-confissao-de-flavio-carneiro","title":{"rendered":"O belo do outro lado da vidra\u00e7a &#8211; A confiss\u00e3o, de Fl\u00e1vio Carneiro"},"content":{"rendered":"<p>Ao se deixar levar pelo que sugere o t\u00edtulo do romance de Fl\u00e1vio Carneiro, \u00e9<br \/>\nprov\u00e1vel que o leitor desavisado suponha como alicerce da narrativa uma rela\u00e7\u00e3o<br \/>\nconfitente-confessor. Assim, imaginar\u00e1, segundo reza o sacramento crist\u00e3o da<br \/>\npenit\u00eancia, o sujeito frente ao confession\u00e1rio, pronto a declarar seus pecados ao<br \/>\nsacerdote. Se assim o fizer, n\u00e3o se equivocar\u00e1 totalmente &#8211; a rela\u00e7\u00e3o estabelecida<br \/>\n\u00e9 essa, de fato, mas a cena a ser imaginada \u00e9 outra, at\u00edpica e, no m\u00ednimo, ins\u00f3lita,<br \/>\npois quem se confessa \u00e9 um seq\u00fcestrador, e o confessor, sua v\u00edtima. O<br \/>\nconfession\u00e1rio, um quarto num canto isolado do mundo, aresta do nada.<\/p>\n<p>O narrador-confitente, an\u00f4nimo, \u00e9 mais que algu\u00e9m com vontade de contar<br \/>\numa hist\u00f3ria. Uma urg\u00eancia o impele, t\u00e3o visceral que se espraia nos deslimites da<br \/>\nviol\u00eancia; uma viol\u00eancia necess\u00e1ria, mas cujo sentido \u00e9 inapreens\u00edvel. E o terror se<br \/>\ninstaura justamente na aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o vis\u00edvel: tendo a mulher seq\u00fcestrada<br \/>\n\u00e0 sua frente, amarrada e amorda\u00e7ada, o seq\u00fcestrador-narrador promete uma<br \/>\nmadrugada insone, dilu\u00edda no tempo e no espa\u00e7o, que durar\u00e1 at\u00e9 que tenha<br \/>\nconsumado sua narrativa. Firme em suas inten\u00e7\u00f5es, revelar\u00e1 \u00e0 mulher, palmo a<br \/>\npalmo, o papel que ela desempenha, sem saber, na trama de sua vida. \u00c9 esse<br \/>\ndetalhe, ali\u00e1s, que a torna o \u00fanico interlocutor poss\u00edvel, abrindo-se e fechando-se<br \/>\nsobre ela o pr\u00f3prio ciclo narrativo, sendo ela a um s\u00f3 tempo o mist\u00e9rio e a chave<br \/>\npara decifr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>N\u00e3o espere portanto o leitor uma confiss\u00e3o de culpa, uma simples declara\u00e7\u00e3o<br \/>\nde pecados por parte do confesso, e muito menos uma senten\u00e7a por parte do<br \/>\nconfessor. O peso da voz de quem narra se mede j\u00e1 pela primeira frase do livro: &#8220;A<br \/>\nsenhora me escute, por favor&#8221;. Na sutil imposi\u00e7\u00e3o do pedido n\u00e3o h\u00e1 margem de<br \/>\nescolha. O outro &#8211; nessa condi\u00e7\u00e3o pouco importando se a mulher ou o leitor, ambos<br \/>\nj\u00e1 capturados &#8211; ouve sim, mas a um eterno mon\u00f3logo, que n\u00e3o ousa romper,<br \/>\ndomado ambiguamente pela compaix\u00e3o e pela curiosidade, e, no caso da mulher,<br \/>\npelo medo em sua forma mais obscura.<\/p>\n<p>Se na aus\u00eancia da caracteriza\u00e7\u00e3o de um pecado o quadro ficcional foge da<br \/>\ntipicidade da confiss\u00e3o, uma vez que pecado implica transgress\u00e3o de preceito<br \/>\nreligioso (estando embutida na palavra uma racionalidade teol\u00f3gica estranha ao<br \/>\ntexto), por outro lado se aproxima dela, na medida em que o relato que promete o<br \/>\nnarrador tem compromisso com a mais pura verdade. N\u00e3o uma verdade dada,<br \/>\nfact\u00edvel, mas outra, velada, que cede lugar \u00e0 estranheza, ao fant\u00e1stico, ao<br \/>\nextraordin\u00e1rio, de modo que mal se possam distinguir os \u00ednfimos contornos entre<br \/>\nfantasia e realidade.<\/p>\n<p>Assim, o narrador, pronunciadamente borgeano, n\u00e3o busca uma raz\u00e3o,<br \/>\nconvencido de que a mat\u00e9ria de seu relato \u00e9 pessoal e singular, e que n\u00e3o se pode<br \/>\nouvi-la (ou l\u00ea-la) a partir dos fr\u00e1geis princ\u00edpios que assentam a realidade vis\u00edvel.<br \/>\nEm se tratando de uma &#8220;hist\u00f3ria de sombras&#8221;, o pr\u00f3prio desejo de explic\u00e1-la, de<br \/>\ndar-lhe um sentido racional &#8211; adverte o narrador &#8211; \u00e9 j\u00e1 uma viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O narrador, em sua viagem autobiogr\u00e1fica (ou melhor, confessional) atrav\u00e9s<br \/>\ndo tempo de sua vida, mostra o percurso de um eu. Conta como aos dezenove<br \/>\nanos, desempregado, subsistia precariamente, sem grandes talentos ou<br \/>\nexpectativas, com certa propens\u00e3o a fl\u00e2neur e ref\u00e9m de uma esp\u00e9cie de medo<br \/>\nexistencial a lhe emperrar o sorriso. \u00c9 uma subjetividade que vai se construindo a<br \/>\npartir de recortes sobrepostos da mem\u00f3ria do narrador, cuja identidade \u00e9 forjada<br \/>\npor meio de cenas entrecortadas do passado, em que desempenha um papel n\u00e3o<br \/>\nprotag\u00f4nico, mas passivo, diante da realidade e da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>A certa altura do relato, temos nitidamente o retrato de um sujeito<br \/>\ninsatisfeito, disperso, confuso, que busca a todo o momento uma alternativa \u00e0<br \/>\npr\u00f3pria vida. O belo est\u00e1 fora de si mesmo: \u00e9 o outro quem tem a sensibilidade, o<br \/>\nrefinamento, a riqueza que ele n\u00e3o tem, mas que deseja ardorosamente possuir.<br \/>\nPortanto, a busca do narrador, reiterada em seu relato, est\u00e1 calcada na tentativa<br \/>\nde apropria\u00e7\u00e3o desse belo: quer apurar seu paladar grosseiro, quer refinar seu<br \/>\nolhar restrito, quer descobrir os sentidos cobertos. Assim, diante desse desejo de<br \/>\nsublima\u00e7\u00e3o, toda a mediocridade com a qual fatalmente se identifica lhe \u00e9 ofensiva,<br \/>\ne dela, portanto, almeja se libertar.<\/p>\n<p>O belo est\u00e1 sempre encarnado no outro, nas experi\u00eancias, sonhos e mem\u00f3rias<br \/>\nalheias; designadamente, das mulheres que cruzam o caminho de seu olhar<br \/>\nitinerante. O feminino \u00e9 a figura\u00e7\u00e3o do belo e a nuca das mulheres (afirma o<br \/>\nnarrador saber l\u00ea-las), o espelho de sua identidade. \u00c9 atrav\u00e9s de um olhar<br \/>\nperscrutador, voraz, que conhece Emma, personagem capital do romance, sendo<br \/>\ndentre suas m\u00faltiplas e heterog\u00eaneas personagens femininas aquela que se<br \/>\nconstitui como o g\u00e9rmen primeiro da intensiva transforma\u00e7\u00e3o por que passa o<br \/>\nnarrador, que a certa altura se descobre ent\u00e3o portador de um poder impens\u00e1vel,<br \/>\ncapaz de reconfigurar sua vida e seu pr\u00f3prio ser.<\/p>\n<p>At\u00e9 os homens comuns t\u00eam momentos de ousadia. \u00c9 num desses momentos<br \/>\nque o narrador, enquanto personagem anacr\u00f4nico de si mesmo, rompe a timidez e<br \/>\nousa abordar Emma (que at\u00e9 ent\u00e3o ignorava sua exist\u00eancia) \u00e0 porta de um desses<br \/>\nrestaurantes chiques da Zona Sul do Rio de Janeiro, e a convida para um almo\u00e7o,<br \/>\natitude que sup\u00f5e crucial para a guinada em seu destino, sem o que estaria &#8220;fadado<br \/>\npara sempre \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de simples admirador, a passar a vida do lado de fora,<br \/>\nolhando Emma pela vidra\u00e7a&#8221;. Isto \u00e9, Emma, aqui, \u00e9 precisamente a encarna\u00e7\u00e3o do<br \/>\nbelo, e a vidra\u00e7a, o que separa o mar do mergulho. A aproxima\u00e7\u00e3o e envolvimento<br \/>\nentre os dois mostra-se uma fatalidade, sim, mas condicionada a um passo da<br \/>\nvontade. E, a cabo, numa din\u00e2mica entre prazer e morte, no t\u00eanue fio que separa a<br \/>\nvida da morte amorosa de Gautier, a rela\u00e7\u00e3o amorosa passa a ser, ent\u00e3o, o<br \/>\ninstrumento que possibilita assimila\u00e7\u00e3o do alheio no que este tem de mais pr\u00f3prio,<br \/>\nsingular e precioso (que tampouco se revele aqui o que \u00e9).<\/p>\n<p>O fant\u00e1stico &#8211; sabe-o bem a fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea &#8211; empresta ao real as<br \/>\nformas da imagina\u00e7\u00e3o, freq\u00fcentemente muito mais v\u00edvidas e significativas que<br \/>\naquelas apenas tang\u00edveis pela nossa raz\u00e3o. Da\u00ed termos no livro de Fl\u00e1vio Carneiro<br \/>\numa releitura do vampirismo, ficcionalmente aproveitada, mas tamb\u00e9m se<br \/>\nestendendo para um ponto al\u00e9m da literatura, refletindo-a. A paix\u00e3o amorosa de<br \/>\nStendhal, em De l&#8217;amour, romance citado no livro, aparece transformada em<br \/>\ncondi\u00e7\u00e3o infeliz, em paix\u00e3o insaci\u00e1vel, que n\u00e3o pode ser apaziguada, esgotando-se<br \/>\no ser na aus\u00eancia de sentido, que o outro &#8211; nenhum &#8211; pode oferecer.<\/p>\n<p>Por isso, embora seja poss\u00edvel &#8211; e proveitosa &#8211; a leitura do romance de Fl\u00e1vio<br \/>\nCarneiro apenas no \u00e2mbito da literatura de entretenimento, fica ainda \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo leitor um vasto campo simb\u00f3lico, imag\u00e9tico, pr\u00f3prio de uma literatura<br \/>\nmetatextual, reflexiva e, por que n\u00e3o, l\u00fadica, parodizante. E s\u00e3o v\u00e1rias as nuances<br \/>\nno texto a indicarem uma vereda mais ampla de leitura. Assim, simbolicamente<br \/>\nf\u00e9rtil \u00e9 o fato de ser o narrador um ladr\u00e3o de livros, isto \u00e9, que trafica livros,<br \/>\nliteralmente, das bibliotecas p\u00fablicas, universidades e livrarias, e os revende para<br \/>\ncomer e pagar o aluguel &#8211; a subsist\u00eancia prec\u00e1ria de que falamos. Diga-se<br \/>\nliteralmente referindo-se a uma outra leitura poss\u00edvel, metaf\u00f3rica, que diz da<br \/>\ncondi\u00e7\u00e3o do escritor contempor\u00e2neo, que, na rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua entre mercado\/arte,<br \/>\n\u00e9 tamb\u00e9m, em certa medida, um h\u00e1bil traficante de livros.<\/p>\n<p>Confessa ainda o narrador o h\u00e1bito invulgar de ler os card\u00e1pios suspensos no<br \/>\nexterior dos restaurantes chiques, a partir dos quais, baseado t\u00e3o-s\u00f3 nos sons<br \/>\nevocados por um franc\u00eas a ele inintelig\u00edvel, procurava imaginar o desenho e as<br \/>\ncores dos pratos ali nomeados e consagrados. E \u00e9 queixando-se de seu paladar<br \/>\ngrosseiro, ou de sua falta de ci\u00eancia, que n\u00e3o d\u00e1 valor a uma possibilidade outra de<br \/>\nsaborear, de experienciar &#8211; de ler, em sentido dilatado &#8211; pass\u00edvel de provocar,<br \/>\nainda que insuspeitadamente, atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o, a mesma leveza e o mesmo<br \/>\nsentido do belo associados \u00e0 degusta\u00e7\u00e3o do prato (ou, simbolicamente, ao<br \/>\ndestrinchamento do texto liter\u00e1rio).<\/p>\n<p>Um dos maiores m\u00e9ritos de Fl\u00e1vio Carneiro \u00e9 a h\u00e1bil costura de formas e<br \/>\nsugest\u00f5es com a linha cir\u00fargica do sentido: a narrativa trata de um homem<br \/>\naparentemente comum, mais defin\u00edvel pelos seus defeitos que por suas qualidades:<br \/>\n\u00e9 fraco, pregui\u00e7oso, grosseiro&#8230; Entretanto, n\u00e3o nos escapa uma caracter\u00edstica<br \/>\nfundamental, inerente ao sujeito da narrativa: a inquietude, a insatisfa\u00e7\u00e3o &#8211; que \u00e9<br \/>\no que lhe permite ao menos saber que n\u00e3o sabe. \u00c9 essa caracter\u00edstica, pouco<br \/>\nsublinhada (por conta da pretensa subservi\u00eancia ao destino), que d\u00e1 sentido \u00e0<br \/>\nnarrativa, desdobrada na voz de um sujeito partido em dois.<\/p>\n<p>Ora, disse Freud que &#8220;o homem feliz n\u00e3o fantasia jamais, s\u00f3 o insatisfeito&#8221;. A<br \/>\ninsatisfa\u00e7\u00e3o, nesse caso, serve t\u00e3o bem \u00e0 fic\u00e7\u00e3o quanto a realidade, possibilitando<br \/>\num deslocamento necess\u00e1rio \u00e0 vida. O artista, desde sempre um insatisfeito,<br \/>\nprocura ent\u00e3o preencher as lacunas da pr\u00f3pria vida com palavras. E tanto maiores<br \/>\nas lacunas, mais espa\u00e7osas as palavras. Hauser entendia que, caso vivesse<br \/>\nintensamente, o artista n\u00e3o precisaria falar de seus sentimentos e, nessas<br \/>\ncondi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo lhe faltariam palavras. Mas a vida &#8211; ficcionalizando-se a si<br \/>\npr\u00f3pria &#8211; n\u00e3o \u00e9 intensificada em meio \u00e0s palavras?<\/p>\n<p>Assim, essas afirma\u00e7\u00f5es, em vez de nos conduzir a uma encruzilhada em que<br \/>\no artista tem que escolher entre criar ou viver, explicitam a inten\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio<br \/>\nCarneiro, que faz viver o artista dentro do homem comum, numa rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel &#8211;<br \/>\nmas n\u00e3o expl\u00edcita &#8211; do sujeito da narrativa com o pr\u00f3prio fazer liter\u00e1rio. Seria<br \/>\nposs\u00edvel dizer mesmo que \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o dum viver radical em que as palavras<br \/>\nn\u00e3o faltam &#8211; mas sobram, transbordam. O pr\u00f3prio mon\u00f3logo testemunha esse<br \/>\nexcesso. N\u00e3o reproduz a vida, e sim diz dela, como se fosse poss\u00edvel alhear-se e<br \/>\napropriar-se da multiplicidade de imagens, sentidos e pensamentos que a<br \/>\ncomp\u00f5em.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Carneiro parece dizer, tamb\u00e9m, que a toda essa experi\u00eancia &#8211; vital e<br \/>\nliter\u00e1ria &#8211; n\u00e3o pode faltar certa pureza. Pois h\u00e1 uma pureza que nunca se esgota, a<br \/>\nsaber, a pureza da arte, a partir da qual a experi\u00eancia humana sempre se renova.<br \/>\nAfinal, n\u00e3o ser\u00e1 a arte como os olhos da prostituta, &#8220;mantendo-se castos a cada<br \/>\ninvestida de cada desconhecido, noite ap\u00f3s noite, na penumbra, os vultos se<br \/>\nsucedendo em fila enquanto as retinas guardam consigo, a sete chaves, seu<br \/>\npequenino segredo&#8221;? Como dizia Fernando Pessoa, a literatura, como toda arte, \u00e9<br \/>\numa confiss\u00e3o de que a vida n\u00e3o basta. De fato, a transbordamos. E h\u00e1 muito<br \/>\ndeixou de ser pecado tal transbordamento.<\/p>\n<p>Por fim, uma mirada atenta no narrador de A confiss\u00e3o o irmana com Funes,<br \/>\no memorioso, ou Marco Flam\u00ednio Rufo, o imortal, ambos personagens de Borges. Os<br \/>\ntr\u00eas t\u00eam em comum o des\u00e2nimo, o cansa\u00e7o, o t\u00e9dio da vida, quando, numa<br \/>\nculmin\u00e2ncia do destino, s\u00f3 lhes cabe instaurar discursividade a partir de suas<br \/>\nmem\u00f3rias sobrecarregadas de experi\u00eancias. No caso de nosso an\u00f4nimo confitente,<br \/>\ns\u00f3 ao final da narrativa nos \u00e9 revelada sua escolha: n\u00e3o o sobre-humano, o<br \/>\nextraordin\u00e1rio, mas a fraqueza humana, sua mis\u00e9ria, e o cotidiano ordin\u00e1rio de<br \/>\nsobressaltos imprevis\u00edveis. A confiss\u00e3o sacramenta, assim, o limite da mortalidade.<br \/>\nMais: declara a culpa do homem, sem atenuantes. E a viol\u00eancia, esse excesso,<br \/>\nporta de entrada e sa\u00edda de nossa triste condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"template":"","class_list":["post-584","comentario","type-comentario","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/comentario\/584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/comentario"}],"about":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/comentario"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/escritorflaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}