Flávio Carneiro Escritor · Crítico · Roteirista
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Obra

Entre o Cristal e a Chama

2001 · Ensaios
EditoraEdUERJ
CidadeRio de Janeiro
Páginas182
Acervo

Edições

1 edição
Capa da edição 2001 de Entre o Cristal e a Chama — 2001
20012001
EdUERJ · Rio de Janeiro
182 páginasISBN 9788575110034

Registro bibliográfico do acervo de Flávio Carneiro.

Sobre a obra

Numa linguagem clara, acessível ao leitor comum, a obra mistura ensaio e ficção numa ousada aventura pelos mundos da escrita e da leitura.

O livro tem duas partes. Na primeira, "Breve passeio pelos bosques da leitura", temos um mapeamento de diversas teorias sobre o tema, numa espécie de panorama que engloba desde as digressões filosóficas de Sêneca até pensadores contemporâneos, como Foucault, Barthes, Eco. O ponto de partida para o recorte desses autores e para a montagem final do texto é a relação entre o ato de ler e o de escrever.

A segunda e mais extensa parte, "Caderno de leitura", compreende trinta ensaios curtos sobre o leitor. O autor selecionou, de contos e romances diversos, de várias nacionalidades, alguns personagens-leitores, ou seja, personagens em situações de leitura – de um livro, de um rosto, de uma cidade. A lista é variada, incluindo, entre outros: o detetive Dupin, de Edgar Allan Poe; o médico do conto "Famigerado", de Guimarães Rosa; Rita e Camilo, do conto "A cartomante", de Machado de Assis. Alguns são leitores do texto literário, como o personagem do conto "Continuidade dos parques", de Julio Cortázar, outros lêem o texto escrito nas ruas da cidade, como Augusto Epifânio, de Rubem Fonseca, e outros são invenções do próprio Flávio, criando variações sobre um personagem apresentado apenas como Leitor.

Com esse curioso "Caderno", o que se tem é um verdadeiro álbum de retratos, em que aparecem vários tipos de leitor, tomados de empréstimo a obras literárias ou saídos da imaginação do autor.

Trecho

O leitor e o nome

Caminhando pelas ruas de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, o Leitor se depara com uma pequena loja de consertar sapatos. Atrás do balcão, um homem bate o martelo no salto de um sapato velho. Atrás do homem, entre calçados de vários tipos e pedaços de couro pendurados, uma placa de madeira, na qual se lê: Clínica Sapatológica.

O Leitor pára diante da placa por instantes, pensativo. Logo depois senta-se à mesa de um bar em frente, na calçada, à sombra. É de tarde, poucos clientes, pouca gente na rua estreita, e o Leitor lança novamente seu olhar para aquelas duas palavras.