Flávio Carneiro Escritor · Crítico · Roteirista
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Como e por que ler Machado de Assis

Publicado no jornal O Popular. Goiânia, página especial sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, do dia 03/10/2001.

Se você, leitor, acredita que nas próximas linhas irá descobrir finalmente a fórmula mágica para ler Memórias póstumas de Brás Cubas, pode deixar de lado o artigo que tem nas mãos. Ainda não criaram nenhum manual de instruções para ler Machado, felizmente. Se, no entanto, for do seu interesse conhecer algumas dicas de um leitor abusado, aí vão elas.

Em primeiro lugar, esqueça quem foi Machado de Assis. Pouco importa se ele era negro, branco ou mulato, se escreveu não sei quantos livros, se foi ajudante de padaria ou fundador da Academia Brasileira de Letras. Pense apenas que você tem diante dos olhos as memórias de nada mais nada menos que um defunto, Brás Cubas, o qual, aliás, adverte desde o início: não é um autor defunto, é um defunto autor. (Só isso basta para que você esqueça o que lhe ensinaram na escola: que Machado é um autor realista. Imagina se não fosse…)