O Livro de Marco
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Registro bibliográfico do acervo de Flávio Carneiro.
Novela selecionada para o acervo da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil,
O livro de Marco
narra a história de um menino que viaja pelo mundo em busca de estrelas cadentes, como todos os homens de sua família fizeram. Por florestas
povoadas de animais fantásticos, por mares azuis e ilhas encantadas, enfrentando tempestades,
vulcões e miragens, Marco sai em busca das estrelas que, quando caem, se transformam em meninas, como lhe ensinou seu pai.
A história é contada pelo próprio Marco, já velho, relembrando suas viagens de adolescente por terras exóticas, perigosas, traiçoeiras, sedutoras, em busca das tais estrelas-meninas. Com ilustrações de Avelino Guedes, o livro mostra o percurso de um garoto em busca da sua própria identidade.
Em entrevista concedida ao site da Agência Literária BMSR, a coordenadora da coleção Aventura Radical – da qual participam
O livro de Marco e Lalande,
também de Flávio Carneiro – a editora Cecília Reggiani Lopes observa: "Ele é um escritor excepcional, realmente acima da média. Flávio Carneiro não é só um autor que escreve bem. Ele escreve com muita sensibilidade e tem um olhar muito afetuoso sobre os seus personagens."
Primeira viagem: na floresta de Alba
Não parecia muito difícil seguir sua trilha, como meu pai tinha ensinado, porque era noite limpa, apenas com uma ou outra nuvem, e dava para distinguir bem as estrelas. Além disso, uma lua enorme iluminava árvores, rios, pedras, clareava meu caminho. Nem sempre é tão fácil, meu pai dizia, há viagens piores. Nem sempre é tão fácil mas naquele noite era, tanto que daria até para desconfiar, se eu não fosse ainda tão novato nas artes de seguir estrelas cadentes.
Antes de chegar à floresta, porém, tive alguns problemas. Não contava, logo na primeira viagem, ter que atravessar sem descanso a longa planície que só conhecia de ouvir falar, simplesmente porque a danada da estrela, por puro capricho, fizera uma curva inesperada. Para não perdê-la de vista, escalei penhascos, passei a noite entre os selvagens do deserto, pedi ajuda ao mago das quatro cavernas, deixei minhas pegadas em praias sem fim, me deparando com o frio, a fome, o erro, tendo que evitar o veneno de ervas, serpentes, feiticeiros. Tudo na minha primeira viagem, eu, Marco, tão menino, acompanhando na noite infinita a trilha da minha estrela.