O Campeonato
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Registro bibliográfico do acervo de Flávio Carneiro.
Vida e jogo, literatura e realidade se cruzam na estréia de Flávio Carneiro no romance policial.
Com esse cartão, André passou a se apresentar. Tentara diversos empregos, mas acabava sempre demitido. É que o rapaz, apesar de jovem, bonito, sedutor e inteligente, tem um "problema": lê compulsivamente durante o trabalho. E um gênero específico: o policial. Sabe tudo sobre uma investigação ficcional. Até que, inspirado em tipos como Sherlock Holmes e Poirot, decide ganhar o pão de cada dia como detetive.
E é justamente aí que Flávio Carneiro propõe ao leitor uma deliciosa história que mistura literatura policial e realidade. Um jogo cujas peças são adolescentes virgens, gurus decadentes, empresários ricos, todos estrategicamente posicionados num tabuleiro de suspense, aventura, humor e morte.
Pode-se dizer que o personagem principal do romance é o próprio gênero policial, levado às últimas conseqüências. Pedro, um adolescente rico, desaparece. Onde estaria? Eis o primeiro caso do detetive André. A investigação o leva a uma casa em Petrópolis onde virgens participam de uma espécie de jogo proibido, inspirado no conto "O campeonato", de Rubem Fonseca. Manipulando as peças reais desse jogo está uma confraria de fãs de Rubem Fonseca, cujos membros, para vencer as apostas, lançam mão da ficção e manipulam a realidade, submetendo-a a uma intricada e surpreendente trama.
Estaria André sendo atraído para uma arapuca? Onde estaria Pedro? Para onde o levariam as pistas ao longo do caminho? E por que um pai rico e aflito colocaria o inexperiente detetive no encalço de seu filho? A resposta surpreenderá o leitor. Em
O Campeonato
, Flávio Carneiro faz uso do melhor de sua habilidade com a literatura juvenil para desenvolver uma narrativa agradável e cheia de frescor, atingindo tanto o jovem quanto o adulto.
Quando o diretor mandou me chamar, eu já sabia qual era o assunto.
Pode entrar, ele disse, eu com meio corpo dentro da sala, a
porta entreaberta. Entrei de vez e fiquei esperando, em pé. Ele apontou a cadeira com um movimento quase imperceptível da cabeça, sem tirar os olhos do papel, no qual escrevia alguma coisa. Esperei. Ficar sentado sem fazer nada, mesmo por pouco tempo, me dava aflição, sobretudo porque eu sabia que dentro da minha bolsa inseparável tinha um livro, justamente o livro que eu estava lendo sossegado no meu canto antes de a secretária me avisar que o diretor queria falar comigo. Odeio que interrompam minha leitura, mas, afinal, era o Dr. Camargo me chamando, tive que ir.