No País do Presente
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Registro bibliográfico do acervo de Flávio Carneiro.
Desdobramento de uma pesquisa de pós-doutorado e de sua atividade crítica regular em alguns dos principais suplementos literários do país, Flávio Carneiro elabora, inicialmente, um
balanço do que foi a ficção brasileira no século XX, no ensaio intitulado "Das vanguardas ao pós-utópico". Em seguida, apresenta 65 resenhas de obras de ficção brasileira publicadas nos últimos cinco anos. A seleção reúne nomes consagrados, como Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo e Nélida Piñon, e os da nova safra – Ferréz, Adriana Lunardi, Joca Terron, entre outros.
Pensar a literatura brasileira contemporânea é um grande desafio. Muitos estudiosos chegam a questionar a possibilidade de análise de um objeto que ainda está em processo de materialização. Um objeto que é fluido, escorre por entre os dedos, declina de algumas apostas e surpreende, subitamente, onde menos se esperava. Um objeto que a passagem do tempo ainda não cristalizou dentro de fronteiras mais ou menos confortáveis. Flávio Carneiro sabe dos riscos que corre, e reverte-os a seu favor.
No país do presente
é um livro de referência que espelha, em intenção, as obras literárias que constituem seu objeto de estudo: respeitando incertezas, protegendo a diversidade, propondo como desafio a multiplicidade de olhares diante de um cenário que é ele próprio múltiplo. Qualquer obra teórico-ensaística que pretenda abordar a criação literária no Brasil neste início de século XXI deve ser a um tempo ousada e cuidadosa, arrojada e humilde, criativa e seletiva. Essa é a principal e a mais valiosa característica deste livro, que ainda assim se pauta por um grande rigor teórico.
No país do presente
combina sua experiência acadêmica, sua ampla atividade como crítico e sua intimidade com a criação literária. Flávio conhece os porões da atividade criativa, mas também suas armadilhas e seus atalhos. Ao mesmo tempo, o olhar do professor, doutor pela PUC-RJ com um pós-doutorado pela UFMG, e a sensibilidade aguçada do leitor que durante anos promoveu campanhas de promoção de leitura país afora vêm à baila para desvendar as armadilhas do ficcional, e para questionar, ou aplaudir, seus atalhos.
No país do presente
é uma obra indispensável ao estudioso da ficção brasileira contemporânea, ao leitor comum que deseja munir-se de um respaldo teórico e também àquele que gostaria de ter maior contato com nossa atual produção ficcional. Por último, e por que não, ao próprio escritor brasileiro neste início de milênio, um escritor que, após o fim das vanguardas modernistas, encontra-se diluído num cenário onde a palavra de ordem é multiplicidade – saudável multiplicidade, mas que não o isenta da cada vez mais árdua tarefa de conhecer seus contemporâneos.
Há os que preferem acomodá-los em estantes de madeira maciça, feitas para durar a vida inteira. Outros preferem estantes formadas por módulos de metal, que podem ser ampliadas de acordo com as necessidades futuras, sugerindo uma biblioteca sempre inacabada. Alguns optam por algo mais despojado, como prateleiras de tijolos ou de caixotes de feira envernizados. Os mais festivos preferem pintar cada divisória com cores vivas, alternando vermelho, laranja, amarelo, azul, verde e o que mais vier, outros optam pela alvenaria, criando nichos nas paredes, e há aqueles que colocam bibelôs aqui e ali, alegrando um pouco a biblioteca.
Talvez valesse a pena esquadrinhar, nas obras de ficção policial, as estantes dos detetives. O primeiro passo dessa investigação poderia ser dado com a estante de Espinosa, o conhecido delegado de Luiz Alfredo Garcia-Roza que, em
Perseguido