A Mais Bela História de Todos os Tempos
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Registro bibliográfico do acervo de Flávio Carneiro.
Ser leitor de um livro é poder estar fora do tempo e do espaço movendo apenas páginas de papel. E com Flávio Carneiro, leitor de chamas e escritor de cristais, embarcar numa história, a mais bela do mundo, é uma aventura em que, a cada linha, você se pergunta quando foi que passou por ali antes e aonde vai levá-lo a pirlimpsiquice em que se meteu. Ao entrar no jogo da leitura com ele, você recorda a cena e tenta montar, como num quebra-cabeças, personagens familiares que se mesclam na memória entre realidade e ficção.
Na delicadeza esmerada das imagens que arrastam para a infância dos lápis de cor, no imaginário de Flávio e de Daniela Galanti, a narrativa expõe silenciosamente a textura literária feita a quatro olhos e interminável enquanto vida houver. Releitura é um modo de convidar o passado ao presente e celebrá-lo, sem medo de subverter ou restaurar algo para o futuro. A escrita, seja em letras, seja em traços, em verdade, é a entrega que um leitor faz a outro, de suas histórias inesquecíveis.
Meu irmão não é de falar muito. Naquele dia, ele bem que poderia ter me contado a verdade sobre nossa irmã.
Era uma tarde chuvosa, chuva fininha, caindo devagar. Estávamos na sala da casa da minha avó. Não é uma casa muito grande, mas tem uma sala cercada de livros por todas as paredes. Todas menos uma, com a janela enorme, de vidro, dando para o pomar. Meu irmão estava de frente para essa janela, olhando a chuva.
Deitado no tapete, no centro da sala, eu lia a história de Robinson Crusoé. Depois parei um pouco, levantei a cabeça e fiquei vendo as gotas escorrendo pelo vidro da janela. Fileirinhas de formiga, pensei comigo.